Comunicação Pública além dos autoelogios de governos

12 janeiro 2018
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12 janeiro 2018, Comentários: 0

Por Anderson Ortiz

Já está claro que uma parte importante da atenção dos políticos em cargos de mando se destina aos assuntos de comunicação com a cidadania. É preciso ser um bom gestor cotidiano da ‘coisa pública’, para o que se foi eleito, mas também é fundamental tornar visível aquilo que o governo faz. Quem acompanha as discussões em Relações Públicas sabe que há mais a fazer na comunicação do que apenas convencer o consumidor ou o eleitor.
Um governo deve ser regido pelo princípio da transparência na decisão sobre o que é de todos, pois representa os interesses da cidadania. E precisa tornar visível o seu processo de decisão, pois vai afetar amplos estratos da sociedade. Como explica o pesquisador Jorge Duarte, trata-se de uma comunicação governamental que traça as políticas de relacionamento entre as instituições ligadas ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário, representantes eleitos e servidores (concursados ou terceirizados), aí incluídas as instituições que integram a burocracia do Estado de forma permanente (autarquias, empresas públicas, institutos, agências reguladoras, meio militar, entre outros). Os governos mudam nas eleições, mas a máquina pública mantém suas políticas e práticas de forma mais perene. É algo que vai muito além do autoelogio publicitário, que por vezes beira o ridículo…
Duarte explica que a Comunicação Pública é mais ampla: “diz respeito à interação e ao fluxo de informação relacionados a temas de interesse coletivo. O campo da comunicação pública inclui tudo que diga respeito ao aparato estatal, às ações governamentais, partidos políticos, terceiro setor e, em certas circunstâncias, às ações privadas. A existência de recursos públicos ou interesse público caracteriza a necessidade de atendimento às exigências da comunicação pública”. Não significa apenas o fluxo do Estado para a sociedade, mas também da criação e da manutenção de canais de escuta e participação.
Assim, torna-se frustrante observar como esse segmento, que é o principal para a cidadania, em geral é apropriado pelos governantes (então) mandatários para enaltecer seus partidos ou personalidades. Ou para tentar convencer a sociedade de medidas extremas, em geral muito antipáticas.
Há tanto a fazer em termos de Comunicação Pública… Mas o naco maior das verbas governamentais de comunicação é tragado para as boas e velhas campanhas publicitárias em meios tradicionais (TV, Rádio, Revista, Jornal), além das experiências em meios digitais, que já existem mas ainda são bem incipientes… 
Os governos ainda falam demais e escutam pouco. Qual será a razão

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