Comunicador como profissão: onde está o emprego? | Informe

Comunicador como profissão: onde está o emprego?

15 janeiro 2018
Comentários: 0
15 janeiro 2018, Comentários: 0

Por Anderson Ortiz

Desde que me tornei coordenador de curso em uma das áreas da Comunicação – Relações Públicas – tenho visitado frequentemente escolas de ensino fundamental e médio para falar sobre a profissão. Que baita desafio! Dia desses, uma aluna muito atenta e esperta de escola privada da zona sul do Rio de Janeiro me perguntou como estava o emprego para a área de Relações Públicas. Eu hesitei, a turma inteira me olhava com ar de desafio. Havia mais dois colegas profissionais em sala comigo, ambos publicitários. E ao fundo da sala um interessado professor de Biologia completava a audiência. Só me cabia dizer a verdade…

De fato, o mercado carece de informações sobre a inserção tanto de Relações Públicas como de todos os demais profissionais da Comunicação, em especial os publicitários. Os jornalistas ainda conseguem acompanhar alguma coisa pelo Ministério do Trabalho com aqueles profissionais que chegam a se formalizar. Com exceção das Relações Públicas, que é profissão regulamentada por Lei (5377/1967), não há conselhos profissionais para as demais categorias, quando muito há sindicatos e entidades de representação.
 
A resposta sincera e verdadeira é: ninguém sabe ao certo onde estão os comunicadores. Isso porque os maiores contratantes da mão de obra profissional da comunicação são organizações (privadas, públicas, sem fins lucrativos), para onde esses profissionais são ‘tragados’ em matrizes internas de cargos e salários, o que torna quase impossível acompanhar… Eles são presidentes, diretores, gerentes, analistas, assistentes. E desaparecem do ‘radar’ quando enveredam pela comunicação de organização porque se tornam gestores de áreas diversas.
 
Fato é que uma legião de novos estudantes chega aos cursos de Comunicação, majoritariamente procurando pelos de Publicidade & Propaganda (41%), Jornalismo (25%), Marketing & Propaganda (23%), Relações Públicas (4%) e demais áreas (Cinema, Radialismo e Audiovisual) (somam 2%). De acordo com o Censo do MEC 2015, eram mais de 210 mil matriculados e mais de 83 mil ingressantes naquele ano. Obviamente, o grosso das vagas no mercado de trabalho não está nas deslumbrantes agências de propaganda retratadas nos cinemas, tampouco nas míticas redações de jornais onde editores e repórteres vasculham os assuntos que interessam à sociedade.
 
As vagas costumam estar em empresas de todos os segmentos e portes; nos escritórios da burocracia pública; nos terrenos de inúmeros projetos das organizações do terceiro setor. Eis a realidade dura de explicar. Se você quer saber para onde vai a maior parte dos comunicadores, então durma com este barulho: eles vão trabalhar para os mesmos escritórios e indústrias que contratam engenheiros, administradores, psicólogos, contadores e outras formações. Serão gestores de assuntos da Comunicação.
 
Eu sei, eu sei… Cadê o glamour das campanhas geniais e das matérias que botam a sociedade de ponta à cabeça? Elas são exceções à regra para uma minoria contratada. Trabalhar em comunicação, em termos majoritários, é trabalhar para organizações. Os salários são razoáveis, a vida torna-se previsível e os profissionais são administradores e executores de tarefas muito prazerosas também…
 

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