Yago Gonçalves: “A fotografia me encontrou”

29 setembro 2017
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A banda posicionada no centro na sede do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (BOPE) se preparava para inauguração da primeira igreja na corporação. Naquela manhã, bíblias, cânticos emocionados e a liturgia cristã invadiam o espaço onde policiais da Tropa Elite carioca são treinados, na comunidade Tavares Bastos, Zona Sul do Rio. Acompanhando todas essas cenas estava Yago da Silva Gonçalves, 23 anos, aluno do 8º período de Publicidade e Propaganda da FACHA.

“Fotografias são símbolos”, disse uma vez em entrevista o fotógrafo Sebastião Salgado, uma das inspirações do estudante. E, seguindo essa premissa, Yago não teve dúvidas em registrar a cerimônia atípica comandada pelos ‘Caveiras’ – como são conhecidos os militares da tropa. Todas as imagens, junto com um texto sobre o que aconteceu naquela manhã, foram enviados para o site da revista canadense Vice, uma das publicações mais importantes do mundo. A iniciativa do nosso aluno ganhou destaque dentro e fora do Brasil.

Por causa de repercussão deste trabalho, o Informe FACHA procurou Yago para ‘trocar uma ideia’ e falar um pouco sobre o desenvolvimento proporcionado pelo nosso Corpo Docente, influências e conhecer um pouco da visão de mundo do nosso aluno e ver outras fotos dele.

Yago Gonçalves, aluno de Publicidade e Propaganda. Foto: Divulgação

Yago Gonçalves, aluno de Publicidade e Propaganda. Foto: Divulgação

Informe FACHA: Como você começou a fotografar?

Yago: Eu não comecei a fotografar a partir da FACHA. Mas depois que comecei o curso de Publicidade e Propaganda, arrumei um estágio em estúdio fotografia com uma colega da faculdade. Comecei a ter esse contato, me apaixonando e assim comprei uma câmera. No início fazia uma linha mais comercial como casamentos, ensaios, etc. Depois fiquei um tempo parado, desmotivado. Estou fazendo meu TCC sobre a relação entre fotografia publicitária e autoral.

IF: E você lembra quando você começou a se interessar?

Yago: Não sei te explicar quando eu comecei a gostar de fotografia. Sempre fui ligado à cultura de rua, ao movimento hip hop e ao rap, onde conheci amigos que fotografavam. Eu me apaixonei quando eu comecei a trabalhar, a estudar e conhecer referências. Costumo dizer que a fotografia me encontrou e faz parte do que eu sou. Tô aí descobrindo ainda.

IF:  Como aulas e os professores ajudaram na sua formação?

A FACHA contribuiu incentivando uma leitura crítica, o modo de estimular o pensamento, um olhar sobre a sociedade. Eu carrego comigo o que foi construído em conjunto com os professores na faculdade. A minha fotografia tem passado por processos, de acordo com que eu tô lendo, pensando e aprendendo. A professora Cláudia Elias é uma dessas pessoas. A minha pegada por fotografia autoral vem muito por conta dela. Eu também me inspiro muito em nomes como Henri Cartier-Bresson; Sebastião Salgado; Phillip-Lorca Dicorcia; Don Mccullin.

IF:  Existem outras influências? O que te motiva?

Yago: O hip hop, a minha família, a religião e a rua influenciaram no meu modo de ver o mundo. Já grafitei por um tempo, vivia nos lugares onde acontecia o movimento no Rio de Janeiro. Tanto que o meu lance na fotografia é a rua. É o lugar onde eu me sinto em casa. Eu gosto da cidade, acho que ela é um espaço a ser ocupado. Acredito que a cidade pode ser redimida e que pessoas podem transformá-la.

 

IF: E por que você parou de fotografar?

Yago: No estágio, eu comecei a fazer ensaio, casamento, festa infantil e percebi que não gostava desse tipo de trabalho. Não queria ser esse cara, não era isso que me encantava. Então deixei a câmera guardada por um tempo. Quando voltei, montei um projeto chamado ‘Nas Ruas’ com mais um outro fotógrafo. Ele saiu e eu continuei sozinho, descobrindo a fotografia autoral e o fotojornalismo neste caminho. Isso ajudou a construir um olhar mais apurado e me encontrei.

 

IF:  Você fez um trabalho para a Carta Capital e outro para a revista Vice. Quais foram as diferenças entre os dois?

Esse trabalho para Carta Capital foi durante os Jogos Olímpicos com mais dois alunos da FACHA. Ele foi até publicado no Dia do Fotojornalista, no site da universidade. Era o meu primeiro trabalho de campo para um veículo, mas a matéria para Vice sobre a  inauguração da igreja na sede do BOPE me marcou muito, porque alcançou uma repercussão muito grande. As fotos e o meu texto ficaram no Top Five mundial da revista e foi muito compartilhado. Eu fiz por conta própria e mandei para os editores. Resultado foi muito bom.

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